A defesa da Fasubra se faz é na luta contra os ataques aos trabalhadores e aos serviços públicos
Manifesto veiculado recentemente pela CUT e CTB tenta minimizar a importância da greve na base da FASUBRA Sindical, além de, sob o pretexto de combater o divisionismo, buscar semear divisão na categoria em meio a essa luta que estamos travando. Ou seja, o manifesto assinado por duas das maiores centrais sindicais do Brasil evidencia muito bem o compromisso dessas organizações em blindar o governo de Dilma Rousseff, mergulhado em corrupções, em detrimento dos interesses dos grevistas que enfrentam o menor piso salarial entre todos os servidores públicos federais brasileiros e vive ameaça concreta de ficar por dez anos sem reajuste salarial.
Desde seu início, a greve tem sido construída, em maior ou menor grau, por todas as forças políticas que constituem a Federação, nesse marco, todos os esforços têm sido feitos para que o governo de Rousseff apresente propostas concretas de negociação à categoria, prova disso, o ministro da educação foi forçado a nos receber, embora não tenha apresentado qualquer tipo de propostas.
Nosso movimento segue nos “trilhos” de possíveis conquistas, puxado por forte “locomotiva” que é o próprio fator existencial da greve, ou seja, nossa pauta, mas também pela vontade da categoria, sejam os mais antigos no movimento e os muitos em estágio probatório que chegam cheios de energias e mesmo ainda novatos, conseguem enxergar as organizações internas que lutam em defesa da categoria e as que se preocupam em estabelecer couraça de proteção em relação às políticas governamentais.
No trilho da Luta sempre e pela Unidade de Ação.
Quando da deflagração da greve a categoria elegeu sua pauta de reivindicações geral e específica e se mantém firme. O único motivo que nos fez ampliar a pauta foi exatamente mais uma investida do governo em acabar com a estrutura estratégica dos nossos Hospitais Universitários enviando para o Congresso Nacional o PL 1749/11, que cria a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, desse modo, transferindo a gestão e todos os bens móveis e imóveis para organização de caráter privado. Diante disso, decidimos incluir a luta contra aprovação desse projeto de lei em nossa pauta de reivindicações e queremos crer que a CUT e CTB não estejam contrárias à nossa iniciativa.
Entendemos que o divisionismo entre as forças dirigentes contribui apenas com o governo, por outro lado, deixa os técnico-administrativos a mercê de não avançar em suas conquistas e ainda perder direitos históricos conquistados com muita luta e disposição.
Os dirigentes da Federação têm a obrigação de serem coerentes com os anseios dos trabalhadores (as) em educação, afinal de contas, são esses de que de ponta a ponta do Brasil decidiram democraticamente, continuar e fortalecer o movimento grevista, fato esse, reconhecido pelo próprio governo na pessoa do Sr. Duvanier Paiva, Secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, por ocasião da última reunião com os federais no dia 21 de julho.
Nossa categoria, por sua história de lutas, não aceita dirigentes “fura greve” e também democraticamente cumpre seu papel em denunciar cada um deles (as) que se preocupam muito mais em servir ao governo federal. Não menos democrático, por exemplo, é o que algumas bases aprovaram em relação a encaminhar suspensão dos dirigentes nacionais que desrespeitam a vontade da ampla maioria dos trabalhadores (as) e abdicam do dever de construir a greve. Karl Marx nos orientou sobre a necessidade dos dirigentes “capazes de conduzir as massas a uma ação histórica contra o sistema dominante". Nossa greve nem chega a ter esse caráter, mesmo assim alguns ditos dirigentes se acham no direito de sequer conduzir uma greve por pauta específica. Ninguém é obrigado a ser dirigente, mas esse tem a obrigação em seguir as decisões da categoria, concordando ou não.
No “trilho da luta” com ou sem greve, a FASUBRA esperou pacientemente por apresentação de propostas por parte do governo, tanto é que vem desenvolvendo atividades e participando de reuniões desde 2008, mas infelizmente, mesmo depois de esperar por quatro reuniões propostas pelo próprio governo para este ano, nenhuma proposta foi apresentada, a não ser a remarcação de mais e mais agendas de conversações. Como tudo tem seu tempo e velocidade, o processo de embromação vem sendo notado por demais categorias do setor dos federais, como ficou explícito na última reunião do funcionalismo com Duvanier, em 21/7, quando esse finalmente disse o que já era óbvio: o governo não pretende dar reajustes ao funcionalismo. Nossas caracterizações e aposta na luta se mostraram acertadas, e os demais trabalhadores do serviço público seguem nosso exemplo, tanto é que no início de agosto estaremos nos juntando com outros setores que já decidiram por também entrar em greve.
Esse momento requer unidade de ação, a mesquinhez dos discursos totalitários da maioria da direção da FASUBRA, objetivam diretamente a autodestruição ou aniquilamento de possíveis conquistas, é uma espécie de eutanásia aos nossos anseios. Se há culpados pela deflagração da nossa greve, não podem existir dúvidas que é o próprio governo e não a categoria como afirma o manifesto da CUT e CTB.
Greve em momento oportuno, mesmo sem apoio de parlamentares ou outros atores.
Todos nós aprendemos que não há momento melhor de deflagrar greve do que quando alcançamos o ápice de insatisfação da categoria que já não aguentava mais ser trapaceada. Vale lembrar que por três plenárias nacionais a categoria decidiu, soberanamente, protelou o início da greve, tudo para dar tempo ao governo para apresentar propostas. Até mesmo na plenária que deflagrou a greve, o ministro da educação prometeu receber a Federação, fazer proposta assinada por ele e o ministério do planejamento, mas nada disso aconteceu. Mesmo a categoria tendo sido prejudicada no curso da plenária por ficar aguardando o referido documento, quando esse chegou não trazia qualquer proposta a não ser marcação de mais uma reunião sem nenhum compromisso de apresentação de propostas, ou seja, o governo não tinha o que nos apresentar, fato esse, reiterado por diversas vezes pelo próprio Duvanier: “não temos nenhuma proposta a apresentar, temos que seguir problematizando por mais um tempo”.
Enganam-se os que pensam que os técnico-administrativos são bobos, que não sabem o momento certo de deflagrar greve, prova disso é que em menos de uma semana o movimento já atingia a maioria das universidades em todo país.
Os parlamentares do PT e PCdoB, com raríssimas exceções, foram omissos a nossa greve, não empenharam ou mostraram suas forças como deveriam. São signatários de mandatos da base do governo e teriam todas as condições materiais para intervir no processo, mas preferiram se esforçar para tentar salvar Palocci e aprovar a lei do código florestal, certamente muito mais importante para esses governistas do que salvar os HUs, por exemplo.
A CUT e CTB de igual modo, exceto nota publicada em seus meios de comunicação, não foram incisivas, já que apoiaram e fizeram de tudo pela eleição da presidente Dilma Rousseff, na verdade, existiam outros interesses difusos aos nossos, que resultaram num esforço para reduzir o alcance da paralisação do funcionalismo no último dia 05.
Vale mencionar que a categoria deu provas concretas sobre sua autonomia e independência, tanto é que a orientação do CNG não foi acatada pela maioria dos trabalhadores (as) em relação a suspensão da greve e, nesse caso, a direção é obrigada a respeitar as resoluções das bases e não o inverso como propaga o campo cutista e cetebista, um recado direto aos dirigentes “fura greve”.
Unidade na ação é fundamental
Para além do discursismo pela unidade, entendemos que o pragmatismo da unidade ocorre com a concretude das ações, fora isso é mero eufemismo à expressão pelegar, muito típica do movimento sindical a quem vira as costas ou ignora a necessidade de lutar em defesa da classe trabalhadora para blindar seu governo.
Para nós dos coletivos “BASE” e “Vamos à Luta”, respeitar as decisões democráticas e soberanas das bases é fazer exatamente o que estamos fazendo, defendendo e potencializando a greve como a maioria da categoria decidiu. Se a categoria tivesse optado pela suspensão do movimento grevista, faríamos o que sempre fizemos, concordando ou não, já estaríamos todos de volta ao trabalho. Esse respeito com o real desejo de nossa categoria, infelizmente, não é o que se verifica com alguns dirigentes apegos ao governo, e que chegam em alguns casos a suspender a greve em suas bases por decreto, sem assembléia.
De nossa parte, jamais colocaremos nossa categoria na “rota de colisão” que comprometa a ação política da FASUBRA, mas na “rota de colisão” com as políticas do governo federal que prefere priorizar o pagamento de juros e amortização da dívida pública, por consequência, o enriquecimento do parasitismo bancário, ao invés de priorizar o fortalecimento do estado brasileiro com mais recursos do orçamento para as políticas públicas. Prefere ampliar o processo de terceirização, inclusive, muitos com irregularidades, ao invés de preencher o quadro deficitário de servidores efetivos, a exemplo das 27 mil vagas existentes nos HUs, essa “rota de colisão” nos interessa porque também interessa a classe trabalhadora e a grande maioria da sociedade brasileira.
Por uma FASUBRA verdadeiramente classista e autônoma de governos e partidos políticos.
A história e o futuro da FASUBRA não podem e nem devem se confundir com atrelamento a governos ou partidos políticos, nossa luta deve ser classista e na busca de uma sociedade mais justa socialmente, deve ser a luta incansável por uma universidade pública, gratuita, de qualidade, laica e referenciada socialmente. Os dirigentes que ignoram esse perfil devem entregar seus cargos para não prejudicar os anseios da categoria. Eles não podem ser “pedras de tropeço” nos caminhos da luta.
Assumimos o compromisso de seguir pondo em prática as táticas e estratégias definidas pela categoria e encaminhadas ao Comando Nacional de Greve, construindo a unidade na prática e na luta com todos e todas que respeitam a autonomia da base e possuem determinação em enfrentar as injustiças propagadas pelo capital e pelo governo.
Chegamos ao momento da greve que devemos praticar tudo que aprendemos por ocasião dos governos direitistas passados, agora a situação é a mesma, a política é a mesma, de pressão, retaliação e judicialização que já estão em curso, portanto, não nos resta outra saída senão pormos em prática as mesmas ações do passado, quais sejam, radicalizar a greve, ganhar as ruas e buscar aliados em outras organizações nacionais e internacionais, sempre apostando no processo de negociação, algo que jamais nos omitimos em fazer, mas negociar pressupõe apresentação de propostas. Mesmo que essas não atendam aos interesses dos trabalhadores (as), isso pode ser feito durante a greve, afinal, sempre foi assim e tem dado certo.
Por fim, ressaltamos que a nova orientação às bases dirigidas pela CUT e CTB em retornarem à greve, embora com atrasos e prejuízos significativos, se faz em momento importante, desde que a retomada seja, de fato, objetivando o fortalecimento do movimento e não para mais uma tentativa de abortar a greve em curso. Continuemos com toda firmeza, somente assim seremos visíveis aos olhos do governo Dilma que tem dado provas se sua não priorização ao serviço público e ao conjunto dos trabalhadores do serviço público.
À Luta sempre!
Abaixo ao governismo interno da FASUBRA.
Fora os dirigentes “fura greve”
Colegas, é preciso que a gente analise estes dois posicionamentos, dos coletivos que integram a DIREÇÃO DA FASUBRA, da corrente ligada a cut e ctb, majoritaria hoje na DIREÇÃO da Fasubra e dos grupamentos Vamos a luta e Base, grupos minoritários na Fasubra, que influem fortemente nas Diretorias nos Sindicatos de Base,influindo por conseguinte nas bases destes sindicatos e que tambem influem fortemente no Comando Nacional de Greve, que é composto pelos delegados dos Sindicatos, que muitas vezes, votam não seguindo as decisões de suas bases. Joaquim R. Costa
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